30 mar Um programador quase acabou com a internet ao apagar algumas linhas de código

No início da semana passada, um programador americano apagou 11 linhas de um pacote de códigos, levando a internet a “quase quebrar”, como classificou um usuário do fórum Github. Acontece que o pacote em questão é utilizado por uma variedade de sites e aplicativos, muitos dos quais você provavelmente usa, como Facebook, Netflix e Airbnb.

Pode parecer algo pequeno diante de tudo que acontece na internet, afinal, em poucos minutos um outro programador já tinha substituido o código. Mas não é bem assim: o pacote permaneceu um bom tempo com uma série de problemas e a história por trás desse episódio causou uma grande controvérsia no universo da programação.

Tudo começou com Azer Koçulu, um programador da cidade de Oakland, nos Estados Unidos. Ele é responsável pelo módulo ‘left-pad’, que apesar de consistir em apenas 11 linhas, é amplamente utilizado. Assim como vários outros módulos, o de Koçulu estava registrado na plataforma de open-source NPM. A ideia desta é servir como uma espécie de atalho para os programadores. Em vez de digitar todo o código a cada vez que começa um trabalho novo, o desenvolvedor pode simplesmente ir copiando e colando vários módulos, de forma a chegar no produto final desejado.

“Pense em cada módulo como peças de Lego. Você não necessariamente se importa com a forma como elas foram fabricadas. Tudo que você precisa saber é como usar essas peças para construir seu castelo”, explica outro usuário do fórum do Github. “Nossa memória a curto prazo é finita. Quando você tem esses módulos e eles podem ser reutilizados por outras pessoas, que por sua vez podem melhorá-los e consertá-los, todos ganham.”

O módulo de Koçulu se chamava Kik. De acordo com o programador, quando escolheu esse nome, não tinha ideia de que um serviço de mensagens com esse nome já existia.Porém existe e, atualmente, é bastante popular nos Estados Unidos, principalmente entre o público adolescente, além de contar com mais de 240 milhões de usuários no mundo inteiro.

Há algumas semanas, os advogados do aplicativo Kik entraram em contato com o programador de Oakland, pedindo a ele que apagasse o módulo do NPM por conflitos entre os nomes. Koçulu se recusou a fazê-lo. O departamento legal do Kik Messenger prosseguiu, dessa vez envolvendo os responsáveis pela própria NPM. Como consequência, o CEO da plataforma, Isaac Z. Schlueter, concordou em alterar a propriedade do módulo para o aplicativo de mensagens. No caso, o pacote de Koçulu ainda estaria disponível na NPM, porém com outro nome.

Ao saber disso, o programador apagou o ‘left-pad’ e outros 271 pacotes que tinha na plataforma. “Essa situação fez com que eu percebesse que a NPM é a terra privada de alguém e que nela as corporações são mais poderosas do que as pessoas. E o que eu faço é open-source porque acredito em dar o poder às pessoas”, escreveu Koçulu em post no Medium. “Como resultado disso, não vou mais compartilhar meu trabalho na NPM e resolvi despublicar todos os meus pacotes.”

A atitude do programador afetou “milhares de projetos”, segundo a NPM. Para evitar que algo do tipo aconteça novamente, a plataforma mudou algumas de suas diretrizes, de forma que a partir dessa semana um programador só pode apagar um pacote caso tenha sido publicado nas últimas 24 horas. Se não for o caso, o pacote ficará na plataforma, que entrará em contato com o usuário imediatamente.

O episódio serviu para que programadores e plataformas ficassem mais espertos, principalmente em relação à importância que algumas linhas de códigos podem ter dentro de importantes serviços. Mais do que isso: a dependência de recursos prontos para a programação. “O que me preocupa é que tantos programas ficaram à mercê desse pacote simples e os programadores passaram um tempão surtando, enquanto poderiam ter tirado dois minutos para reescrever eles mesmos o pacote”, afirma um engenheiro no Haney Codes.

 

Fonte: revistagalileu

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